Contabilidade


Atraso na implementação de IA pode custar 24% dos talentos em dois anos e US$ 143 bi às empresas, aponta pesquisa

  • 29/06/2026

     
     


     

    Atraso na implementação de IA pode custar 24% dos talentos em dois anos e US$ 143 bi às empresas, aponta pesquisa

    Apenas nos Estados Unidos, até US$ 143 bilhões em receita de clientes podem estar em risco por causa da adoção ineficaz da inteligência artificial em áreas como direito, impostos, auditoria e gestão de riscos. O número integra o relatório Future of Professionals 2026, da Thomson Reuters, elaborado a partir de uma pesquisa global com 1.800 profissionais.

    O estudo aponta uma distância crescente entre a ambição das empresas com a IA e o uso prático da tecnologia no dia a dia — diferença que, segundo o levantamento, já produz efeitos concretos, como riscos financeiros e maior disposição dos talentos para deixar o emprego.

    “Escritórios que estão operacionalizando a IA estão avançando mais rápido. Os que não estão, começam a assumir riscos reais em talento, clientes e desempenho financeiro. Fechar essa lacuna de execução agora é um imperativo de negócio para escritórios profissionais”, afirma Steve Hasker, presidente e CEO da Thomson Reuters.

    O problema não está na adoção: 74% dos profissionais já usam ferramentas de IA semanalmente, mas as organizações têm dificuldade de converter esse uso em valor real. Na prática, 91% acreditam que suas empresas ainda não exploram todo o potencial da tecnologia, o que abre espaço para efeitos não planejados — como um terço dos advogados, contadores e profissionais de compliance recorrendo a ferramentas não autorizadas, gerando um risco invisível e sem gestão.

    Mesmo onde há estratégia de IA, a execução avança devagar: 35% afirmam que as ambições não se traduzem no cotidiano e cerca de um em cada cinco diz que a organização ainda não tem uma estratégia clara. Esse descompasso entre promessa e realidade já afeta a retenção de talentos, com um em cada quatro profissionais admitindo que pensaria em deixar o emprego atual em até dois anos caso não enxergasse o valor esperado.

    Os clientes seguem na mesma direção: 78% consideram essenciais as melhorias de qualidade impulsionadas por IA, mas só 6% acreditam que a maioria dos fornecedores realmente entrega isso. Como consequência, quase um terço pretende rever essas relações nos próximos 12 meses.

    Para a Thomson Reuters, essas pressões crescem mais rápido do que muitos líderes percebem e se concentram em três frentes interligadas: o uso de IA não validada, a saída de talentos e a cobrança dos clientes.

    Shadow AI: IA não validada amplia a exposição a riscos

    Um terço dos profissionais utiliza IA não aprovada pela organização, índice que sobe para 41% entre os que avaliam que suas empresas avançam muito lentamente no tema. Ao mesmo tempo, 96% afirmam que a IA precisa proteger dados confidenciais, 94% exigem conteúdo confiável e verificado e 90% querem resultados que possam ser explicados e defendidos. Ainda assim, 41% não têm acesso a ferramentas profissionais capazes de atender a esses requisitos.

    Talentos estão deixando as empresas

    Um em cada quatro profissionais (24%) que percebem uma lacuna entre o potencial da IA e o que a empresa entrega cogita sair em até dois anos, e 13% fariam isso em até 12 meses. Mesmo assim, quase metade dos líderes seniores acredita que a pressão relevante sobre talentos só chegará dentro de pelo menos três anos. O acesso a IA de nível profissional pesa nessa conta: 62% dizem que ele influenciaria a decisão de aceitar um novo emprego e, entre quem já usa essas ferramentas, quase um em cada três recusaria uma vaga sem esse recurso.

    Clientes não estão esperando

    Entre os clientes corporativos, 78% consideram muito importante ou essencial a melhoria de qualidade baseada em IA, mas apenas 6% afirmam que seus fornecedores estão entregando isso. Nos próximos 12 meses, 32% pretendem reavaliar seus fornecedores, e um terço deles coloca mais de US$ 1 milhão em trabalho anual em risco — o que soma cerca de US$ 143 bilhões em receitas dos mercados jurídico e contábil dos Estados Unidos sob reavaliação.

    “Nem toda IA é igual. Em profissões com responsabilidade legal, o padrão precisa ser muito mais alto”, disse Hasker. “Quando os resultados impactam decisões jurídicas, regulatórias ou aconselhamento a clientes, ‘quase certo’ não é suficiente. Por isso desenvolvemos o que chamamos de IA de nível fiduciário, uma tecnologia que os profissionais podem verificar, confiar e sustentar.”

    Fonte: Com informações de Contábeis


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